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Olívia Gutierrez Castro Carranza

  • 15 de jul.
  • 4 min de leitura

Existem mulheres que sempre sonharam em ser mães. Existem mulheres que descobrem esse desejo ao longo da vida. E existem aquelas que carregam esse sonho porque conheceram, desde muito cedo, a ausência de uma família.


A história da Olívia Gutierrez Castro Carranza começa exatamente aí. Hoje, aos 33 anos, ela é psicóloga, esposa de Arthur Miguel Soares Carranza e mãe de cinco meninas: Geovanna e Giulia, gêmeas de 14 anos; Melyssa, de 11; Isabella, de 6; e a pequena Rebeka, de 2 anos.

Mas muito antes de construir essa família cheia de vida, ela cresceu em um orfanato.



Talvez por isso o desejo de ser mãe sempre tenha significado muito mais do que apenas gerar filhos. Era, de certa forma, construir o lar que ela nunca teve.


"Eu imaginava que a maternidade era só amor e cuidado. Hoje sei que ela também é cansaço, medo, aprendizado e muitas escolhas difíceis."


Ela conta que, quando os filhos chegam, nasce também uma nova mulher. Uma mulher que aprende todos os dias, que erra, que recomeça e que entende que perfeição nunca foi o objetivo.


"Descobri que não existe mãe perfeita. Existe uma mãe presente, que ama, aprende com os erros e faz o melhor pelos filhos todos os dias."


Ao longo dos anos, outro aprendizado se tornou inevitável. Depois que um filho nasce, a preocupação nunca mais vai embora. Sempre existe uma oração silenciosa, um medo escondido, uma vontade quase impossível de protegê-los de tudo. Mas a maternidade também levou Olívia por caminhos que ela jamais imaginou percorrer. Quando a filha Melyssa recebeu o diagnóstico de autismo aos três anos de idade, uma nova realidade começou. Anos depois, Isabella também recebeu o mesmo diagnóstico. Entre consultas, dúvidas, medos e descobertas, ela percebeu que precisaria abandonar qualquer expectativa de comparação. Cada criança tem seu próprio tempo, cada desenvolvimento é único, cada pequena conquista merece ser celebrada.




"Receber o diagnóstico trouxe medos e dúvidas, mas também me ensinou um novo jeito de enxergar o desenvolvimento infantil, respeitando o tempo e a individualidade de cada uma."



Apesar dos desafios, Olívia nunca caminhou sozinha. Ela fala com gratidão do marido, Arthur, que esteve presente desde o início, e também da família que reencontrou ao longo da vida.


"Durante muitos anos precisei aprender a sobreviver sozinha, mas a maternidade não foi assim. Sempre tive alguém para estender a mão."



Ela sabe o privilégio que isso representa.

E reconhece o quanto uma rede de apoio muda completamente a experiência de ser mãe. Quando perguntamos qual foi o momento mais difícil dessa caminhada, ela volta muitos anos no tempo. Tinha apenas dezoito anos e estava grávida de gêmeas ainda cursava Psicologia.

Tentava construir uma carreira enquanto aprendia, ao mesmo tempo, a construir uma família. Hoje, olhando para trás, enxerga aquela jovem com muito carinho. Foi naquela fase que descobriu uma força que nem imaginava possuir.




Mais tarde, outra dor marcou sua história. A perda de um bebê com apenas seis semanas de gestação, um luto silencioso, difícil de explicar e difícil até de dividir.


"Com o tempo, aprendi que aquela perda não me fez menos mãe. Ela passou a fazer parte da minha história."



Ao falar sobre si mesma, Olívia sorri. Ela diz que ainda se reconhece no espelho, talvez não exatamente como aos dezoito anos. Mas como uma versão mais madura, mais forte e muito mais grata. As marcas que as gestações deixaram no corpo já não são motivo de insegurança. Hoje elas contam uma história. A história de um corpo que gerou cinco filhas e se pudesse voltar no tempo e conversar com a mulher que existia antes da maternidade, diria apenas:





"Calma. Você não precisa ter todas as respostas agora. Continue confiando em Deus. Vai ser muito mais bonito do que você consegue imaginar."


Na rotina da casa, não existe muito espaço para silêncio. Cinco filhas significam cinco personalidades completamente diferentes, cinco necessidades, cinco jeitos de amar. Mesmo assim, ela faz questão de preservar pequenos momentos individuais com cada uma. Com as gêmeas, gosta de conversar enquanto tomam um café ou preparam alguma sobremesa. Com Melyssa, as emoções aparecem através das bonecas. Com Isabella, desenhos e dança se transformam em linguagem e ecm Rebeka, o colo ainda resolve quase tudo.






Foi convivendo com duas filhas autistas que Olívia aprendeu uma das maiores lições da maternidade. Nem toda frustração é birra.

Nem toda dificuldade é desobediência. Às vezes existe apenas uma criança tentando organizar sentimentos que ainda não consegue explicar. Por isso, antes de corrigir, ela procura acolher. Antes de responder, tenta compreender. E acredita que esse olhar mudou completamente a dinâmica da família.




Mesmo vivendo uma rotina intensa, ela faz questão de lembrar que cuidar de si também faz parte da maternidade. Sempre que consegue, mantém os exercícios físicos, continua dançando, reserva um tempo para a leitura e protege os momentos a dois com o marido.


"Quando eu estou bem, consigo estar ainda mais presente para as minhas filhas."


Entre todos os momentos vividos até aqui, existe um que ela gostaria de congelar para sempre. Os abraços espontâneos.

Aqueles em que uma das meninas simplesmente corre até ela sem motivo.

Sem pedir nada. Só porque quer um colo. Ela sabe que esses abraços vão diminuir conforme elas crescerem. E talvez seja justamente por isso que hoje eles tenham tanto valor. Quando perguntamos qual conselho deixaria para uma mãe de primeira viagem, a resposta veio simples.




"Não se compare com outras mães. Cada bebê, cada família e cada maternidade têm o seu próprio ritmo. Seu filho não precisa de uma mãe perfeita. Precisa de uma mãe presente e cheia de amor."



Ao final da entrevista, pedimos que resumisse este momento em uma palavra. Ela escolheu Gratidão.

Depois explicou o porquê. Entre o casamento, a profissão e cinco filhas tão diferentes entre si, Olívia encontrou exatamente o lugar onde acredita que Deus permitiu que estivesse. Um lugar cheio de desafios. Mas, principalmente, cheio de propósito e talvez essa seja a maior definição da sua maternidade, não perfeita, mas profundamente presente.




RAW MOTHERHOOD é uma coluna do The Ones Edit dedicada a histórias reais sobre maternidade, sem filtros e sem romanização. Mulheres, rotinas, medos, amor, caos e beleza coexistindo no mesmo espaço, exatamente como a vida acontece.



 
 
 

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