Gabriella Patterson McCoy
- 8 de jul.
- 6 min de leitura

Existem mulheres que sonham a vida inteira em ser mães.
Gabriella Patterson McCoy não era uma delas.
Psiquiatra, casada com o cirurgião geral Oliver Phillip McCoy, ela construiu sua vida guiada pelo respeito, pela escuta e pelo cuidado com o outro. A maternidade não fazia parte dos seus planos imediatos e, depois do casamento, o casal ainda esperou alguns anos antes de decidir aumentar a família, mas a vida já havia começado a desenhar esse caminho.
Oliver já era pai de três meninas, a mais nova, Sky, tinha pouco menos de dois anos quando Gabriella entrou para a família. Curiosamente, ela havia acompanhado parte da história da menina antes mesmo do relacionamento, durante um tratamento.
"Praticamente criei a Sky."

O vínculo nasceu aos poucos, na convivência, nos cuidados diários e na construção da confiança. Muito antes de viver a gestação dos próprios filhos, Gabriella já descobria que maternidade também pode começar pelo amor. Hoje, ela é mãe da Sky, de 13 anos, do Matt, de 2 anos, e da pequena Ava, de 1 ano.
"Viver a maternidade tem me proporcionado experiências incríveis e inimagináveis. Tem sido desafiador e gratificante ao mesmo tempo."
Ela acredita que ninguém nasce pronto, que a maternidade não entrega respostas prontas mas sim ela transforma.

"Quando a gente se permite viver, a gente se aperfeiçoa com as nossas vivências."
Quando perguntamos se ela se sentiu apoiada ou apenas esperavam que desse conta de tudo, a resposta veio sem hesitar.
"Me sinto apoiada o tempo inteiro."
Oliver aparece diversas vezes durante a conversa. Não apenas como marido, mas como parceiro.
"Ele tem sido um suporte essencial na minha vida. Posso contar com ele em tudo que eu preciso."

Ela também reconhece o privilégio de contar com uma verdadeira rede de apoio e acredita que isso muda completamente a forma como a maternidade é vivida.
Entre tantas lembranças, existe uma que ainda emociona, a gravidez da Ava, foi durante esse período que Gabriella recebeu uma notícia que mudaria completamente sua forma de enxergar a maternidade.
O diagnóstico de diabetes tipo 1.
"Eu senti o chão abrir sobre mim."
Vieram o medo, a insegurança e aquela sensação conhecida por tantas mães de não saber se seria capaz de enfrentar o que estava por vir.

"Eu senti que não seria capaz de lidar com a situação."
Mas, com o passar dos dias, aconteceu algo inesperado. Foi a própria Ava quem começou a ensinar a mãe.
"Aos poucos, ela tem me ensinado com a garra e a coragem dela que é justamente nas nossas peculiaridades que encontramos a nossa força."
Hoje, Gabriella olha para trás e entende que aquele momento, apesar de extremamente difícil, também a transformou e existe uma parte da maternidade sobre a qual ela acredita que quase ninguém fala o suficiente.
A impotência.

"A parte mais difícil é quando os nossos filhos estão doentes e não temos o superpoder de trocar de lugar com eles."
É um sentimento que atravessa mães de todas as histórias, querer proteger, querer resolver, querer sofrer no lugar deles e descobrir que nem sempre isso é possível. Gabriella também já se sentiu menos mãe, não porque alguém lhe disse isso mas porque, em alguns momentos, acreditou ter falhado consigo mesma.
"Quando eu quebrei as minhas próprias regras, as minhas promessas, ou quando não me atentei o suficiente a alguma necessidade dos meus."

Ela percebeu que, muitas vezes, a cobrança mais dura vinha dela mesma e isso pesava. Durante muito tempo, o choro também precisava acontecer escondido.
"No banho, no carro, na madrugada fria, na sala de estar... qualquer lugar que emanasse algum tipo de paz interior."
Ela descreve esses momentos com uma leveza que só quem atravessou consegue ter.
"Era um lugar onde o choro podia ser um grito... Isso antes da terapia."
Hoje ela sorri ao lembrar e agora, se precisar chorar... Ela simplesmente chora.

Quando perguntamos se ela ainda se reconhece no espelho, Gabriella não respondeu apenas sobre aparência, ela falou sobre identidade.
"Esse reconhecimento precisa ser feito diariamente."
Ela conta que existem dias em que acorda cansada, em que o reflexo não corresponde ao que gostaria de ver e em que a autocrítica fala mais alto, dias em que se sente péssima, dias em que nada parece suficiente. Mas, mesmo nesses momentos, existe uma decisão silenciosa que ela faz todos os dias: continuar.
"Eu ainda estou ali. Existindo, tentando não desmoronar, sendo apenas eu."

Essa frase resume muito da maternidade que ela vive. Não uma maternidade perfeita, mas uma maternidade possível. Feita de tentativas, de recomeços e da coragem de seguir mesmo quando tudo parece pesado. Fisicamente, as mudanças foram menores do que ela imaginava.
Durante a gravidez, ganhou algumas curvas, viu o corpo se transformar e até brinca ao lembrar que finalmente ganhou "peitos". Depois, com a amamentação, veio outra transformação: perdeu peso rapidamente e, como ela mesma diz entre risos, "perdi toda a gostosura".
Hoje, quando consegue, tenta cuidar do corpo na academia. Não por cobrança, mas porque entende que cuidar de si também faz parte do processo de maternar. Ainda assim, ela faz questão de deixar claro que as maiores mudanças nunca aconteceram do lado de fora.
A verdadeira transformação foi interna.

A mulher que existia antes da maternidade continua ali, mas agora carrega uma força que antes desconhecia, uma capacidade maior de acolher, de amar e de enxergar a vida por outras perspectivas. Se pudesse encontrar aquela Gabriella de alguns anos atrás, não tentaria mudá-la. Apenas agradeceria.
"Foi bom ter te conhecido. Obrigada por ter me permitido evoluir para quem tenho me tornado."
E talvez essa seja uma das respostas mais bonitas de toda a entrevista, porque ela não olha para o passado com saudade, mas olha com gratidão.
"Meu eu antes da maternidade não sabia o quanto seria maravilhoso ser mãe e o quanto isso me faria feliz."

Hoje, quando se vê no espelho, Gabriella enxerga muito mais do que a mulher que era. Ela enxerga tudo o que precisou viver para se tornar quem é.
Com três filhos em fases completamente diferentes, a rotina é intensa. Sky estuda.
Matt também, os dois fazem atividades extracurriculares, artes marciais, natação, ginástica olímpica.
A pequena Ava ainda passa a maior parte do tempo com Gabriella ou com Oliver, dependendo dos plantões e da rotina da clínica. Quando precisam, contam com a ajuda de uma babá. Mas fazem questão de estar presentes, cada filho tem um ritual especial. Matt nunca dorme sem ouvir uma charada. Ela sabe que, no dia seguinte, a curiosidade será o melhor despertador. A Ava adora música, ela canta, a pequena bate palminhas e balança o corpo.

Já com a Sky existe outra tradição, antes de dormir, Gabriella sempre pergunta:
"Como foi o seu dia?"
Existe ainda um ritual que reúne toda a família, para agradecer pelas refeições, pelo dia vivido, pelas pequenas coisas.
Gabriella não se considera uma mulher muito vaidosa, mas gosta de pequenos cuidados, um banho quente, óleos, sais de banho, hidratar a pele e cuidar do rosto. Pequenos gestos que a ajudam a lembrar que também existe uma mulher além da mãe e existe um desejo guardado. Viajar apenas com Oliver, sem horários de crianças e sem interrupções.
"Namorar, conversar, renovar os votos... esse tempo também é necessário."
Porque ela acredita que cuidar do relacionamento também é uma forma de cuidar da família e entre tantas lembranças, uma ocupa um lugar especial. O dia em que Sky a chamou de mãe.
Ouvir essa palavra de uma filha que não nasceu do seu ventre foi algo impossível de explicar. Foi ali que ela entendeu que maternidade nunca dependeu da biologia e sempre dependeu da presença.

No fim da entrevista, pedimos que ela resumisse esse momento da vida.
Ela escolheu duas palavras.
A fase atual é desafiadora.
A maternidade é ressignificação.
"Tentativa, erro e acerto, toda hora."
E deixa um conselho que resume toda a sua história:
"Você não precisa ser a mãe perfeita. Só precisa ser uma mãe presente."
Quando olha para Sky, Matt e Ava crescendo, Gabriella sente paz. Porque, apesar de todos os desafios, é exatamente ali que ela gostaria de estar.

RAW MOTHERHOOD é uma coluna do The Ones Edit dedicada a histórias reais sobre maternidade, sem filtros e sem romanização. Mulheres, rotinas, medos, amor, caos e beleza coexistindo no mesmo espaço, exatamente como a vida acontece.




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