Chaiene Collin's
- 6 de ago.
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Chaiene Collin's tem 28 anos. É pediatra, e, recentemente, realizou outro sonho: abriu um estúdio para gravação de séries. Mãe de três crianças, um menino de cinco anos, gêmeas de dois anos e oito meses, além de viver a experiência da adoção, eles chegaram de formas diferentes e transformaram tudo de formas que ela ainda está processando. Família é o centro de tudo não como discurso, mas como escolha feita todos os dias, inclusive nos dias em que essa escolha pesa. A maternidade real chegou diferente do que ela imaginou. E essa diferença custou.

Chaiene achava que os filhos se encaixariam na vida que ela já tinha. Que daria pra seguir, mais ou menos, com um novo integrante dentro do mesmo esquema. E a realidade veio com uma sinceridade que muitas mães vão reconhecer. .
"Eu não conseguia ser a mãe que deixa o filho chorando ou sozinho para fazer as coisas. Então acabava ficando frustrada por ver todo o resto que precisava ser feito e não conseguir dar conta."

Essa frustração entre o que ela queria ser e o que conseguia fazer é o tipo de coisa que a maternidade instagramável não mostra. A sensação de estar falhando em tudo ao mesmo tempo, mesmo quando na verdade você está simplesmente presente. A verdade que ninguém contou? Que você vai precisar de um autocontrole que não sabia que tinha. Que vai ser testado sem aviso, sem horário, sem misericórdia.
Apoio tinha. Aceitar era outra história.

O apoio estava lá. Mas Chaiene não o aceitou e ela sabe disso, e fala sobre isso sem se poupar. Cresceu num ambiente difícil. Não queria que seus filhos crescessem perto das mesmas pessoas, das mesmas dinâmicas. Então escolheu segurar: sozinha, ou com o marido ao lado, o homem que ela descreve como sua base, como o único lugar onde sempre pôde pousar.
"Meu esposo trabalhava muitos dias o dia todo e eu precisava ficar sozinha. Mas ele nunca deixou de fazer o melhor."

Tem algo muito honesto em reconhecer que o apoio existia e que você não conseguiu recebê-lo. Não é fraqueza. É a marca de uma história que veio antes, e que a maternidade trouxe de volta à superfície.
Dez meses sem dormir
Esse é o capítulo mais pesado e Chaiene conta sem suavizar. O filho mais velho não dormia. Nem de dia, nem de noite. Por quase dez meses e ela lembra das madrugadas longas, do cansaço acumulado e da sensação de estar completamente esgotada. Era o que mais a quebrava. Não a exaustão física, que também era real. Era o choro de cansaço que ela segurava até não conseguir mais. Numa dessas madrugadas, ela precisou sair do quarto. Dois minutos. Só dois minutos pra respirar antes de voltar e continuar. Quando voltou, veio a culpa.
"Eu era a adulta. Precisava estar bem por ele."
Ela não estava. E ficou com isso por muito tempo e hoje, com a distância que o tempo traz, ela sabe o que diria pra si mesma naquela madrugada: que procurasse um pediatra especialista em sono muito antes. Que dez meses achando que era normal, quando não era, custou caro demais. E que sair do quarto por dois minutos não é falhar.
É sobreviver.
Sair do quarto por dois minutos não é falhar. É sobreviver.

A musiquinha do calma
Do caos, nasceu um ritual. Quando o estresse bate e na casa de Chaiene, com três crianças em fases avassaladoras, ele bate com frequência, lá vem a música. Suave, repetitiva, com uma só palavra: calma, calma, calma. Ela canta com os filhos até a tensão baixar. Funciona. Pros três.
É exatamente o tipo de coisa que nasce da necessidade e vira amor antes que você perceba. A regra da casa é simples: na hora da raiva, ninguém resolve nada. Primeiro respira. Depois conversa.
"Ensinando a respirar e se acalmar para conversarmos. Não resolvemos as coisas na hora da raiva."
Uma regra que ela aplica nas crianças e que aprendeu a aplicar em si mesma com a mesma seriedade. Porque mãe também precisa de calma. Mãe também erra. Mãe também é gente.

O espelho e o caminho de volta
No começo, ela não se reconhecia. Cabelo sempre amarrado. Unhas sem fazer. Corpo que emagreceu muito por conta da amamentação uma mudança que ela não escolheu e que custou tempo pra aceitar. A identidade de antes da maternidade ficou suspensa. Não desapareceu. Mas precisou esperar.
"Agora sim me reconheço. Mas no começo foi difícil."

A reconexão foi chegando aos poucos, os exercícios voltando, os hobbies voltando, o estúdio nascendo como algo só dela. O casamento também mudou. Os dois amadureceram juntos, lado a lado dentro de um caos que poderia ter separado e não separou. As brigas de antes, por bobeiras, simplesmente deixaram de existir. Chaiene ainda sente falta de mais momentos sozinha. De silêncio que seja só dela, sem demanda, sem pressa. Mas sabe e diz isso com uma clareza que vem de dentro que está ficando mais forte. Não de uma vez, mas aos poucos e do único jeito que funciona de verdade.
O momento que ela guardaria pra sempre
Quando olhou nos rostos deles pela primeira vez. Cada um. Os três. De formas diferentes, em momentos diferentes mas com o mesmo peso, a mesma parada no tempo.
"Quando eu olhei nos rostinhos deles pela primeira vez."
Não tem como descrever. Ela nem tenta. Só diz, e a frase carrega tudo sozinha. Hoje o que mais a encanta é continuar mostrando o mundo pra eles. Cada cantinho. Cada descoberta. Fazer parte do processo de alguém que ainda está aprendendo que o mundo existe e é grande, e é bonito, e vale a pena. E Chaiene não termina a entrevista com um conselho de livro de coach de redes sociais, mas sim com o que viveu.
"Para não se culpar. Todas chegamos no nosso limite em algum momento e tá tudo bem. Somos mães, mas também somos uma pessoa que está vivendo tudo pela primeira vez."
Ela define a maternidade com uma só palavra, desafiadora. E a sua fase atual com, reconhecimento. As duas juntas contam uma história inteira.
"No meio de tudo, eu sinto que estou ficando mais forte."

RAW MOTHERHOOD é uma coluna do The Ones Edit dedicada a histórias reais sobre maternidade, sem filtros e sem romanização. Mulheres, rotinas, medos, amor, caos e beleza coexistindo no mesmo espaço, exatamente como a vida acontece.




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