GABRIELA BITTEL
- 27 de mai.
- 5 min de leitura

A maternidade costuma chegar acompanhada de histórias sobre exaustão, noites sem dormir e a sensação de que a vida muda completamente. Gabriela Bittel cresceu ouvindo tudo isso. Então, quando descobriu que seria mãe, esperava uma grande tempestade mas não foi exatamente assim.
Aos 24 anos, empresária e criada em um universo cercado por moda, comunicação e mulheres fortes, Gabriela vive hoje uma rotina dividida entre reuniões, decisões importantes, café frio e o pequeno Austin, recém completando um ano.
E, no meio do caos organizado que chama de vida, ela descobriu uma versão de si mesma que ainda não conhecia.
“A maternidade não apagou quem eu era.”

"Eu imaginava algo muito mais difícil”, ela conta.
Cresceu ouvindo relatos sobre exaustão absoluta, perda de identidade e caos constante. Então entrou na maternidade esperando sobreviver aos dias, mas a experiência foi diferente.
“Claro que existem dias cansativos, culpa, mudanças e momentos imprevisíveis. Mas o Austin é um menino muito leve. Arteiro, curioso e cheio de personalidade, mas também tranquilo.”
Para Gabriela, o mais surpreendente foi perceber que a maternidade não chegou destruindo quem ela era.
“A maternidade só ampliou partes minhas que eu ainda não conhecia.”
Existe uma verdade sobre ser mãe que ninguém conseguiu explicar antes que ela sentisse por conta própria.

“Ninguém me contou que a gente passa a viver com o coração fora do corpo.”
E junto desse amor instantâneo, veio também a culpa silenciosa, constante e presente nos detalhes mais comuns da rotina.
“Se você trabalha, culpa. Se desacelera, culpa. Se sai, culpa.”
Mas Gabriela reconhece algo que mudou completamente sua experiência: ela nunca esteve sozinha.
Sua mãe sempre foi uma referência importante.
Existe também Ana, a babá que descreve com carinho, e Miles, seu marido.
“Ele é o tipo de pai presente de verdade. Daqueles que participam, observam e dividem a vida real.”
Por muito tempo, ela acreditou que boas mães deveriam dar conta de tudo sozinhas.
Hoje, pensa diferente.
“Ser mãe já muda tanta coisa… poder dividir o peso faz toda diferença.”

O momento mais difícil da maternidade veio cedo.
Nos primeiros meses de vida, Austin ficou muito gripado. Uma gripe forte o suficiente para despertar um medo que ela ainda não conhecia.
“Foi a primeira vez que eu senti aquele medo absurdo que vem junto com a maternidade.”
Ela descreve a sensação como impotência.
Ver um bebê pequeno doente muda alguma coisa dentro de uma mãe.
“Você queria trocar de lugar. Queria resolver. Queria simplesmente tirar aquilo dele.”
E foi ali que ela entendeu que amor e medo conseguem existir ao mesmo tempo e com a mesma intensidade.
Existe um tema sobre o qual Gabriela quase nunca falava: amamentação.
“Eu tentei. Vivi aquilo. Mas nunca foi algo natural ou bonito pra mim como parecia ser para outras mulheres.”

Quando Austin completou seis meses, ela decidiu parar e iniciar a fórmula.
“Foi a melhor decisão para nós dois.”
Mas, antes de chegar nessa tranquilidade, vieram as dúvidas. Ela se perguntou se estava desistindo cedo demais. Se estava falhando como mãe.
“Existe uma cobrança silenciosa muito grande sobre o que uma mãe deveria fazer.”
Com o tempo, percebeu que maternidade nunca foi sobre um único gesto.
“Nunca foi sobre amamentar por mais tempo, fazer tudo perfeitamente ou se anular.”
Austin precisava de uma mãe bem consigo mesma e ela precisava continuar sendo ela também.
Quando voltou ao trabalho, surgiram dias difíceis e algumas vezes, saía de casa enquanto Austin ainda dormia. E, quando voltava tarde, ele já estava dormindo de novo.
“Parecia que eu tinha perdido o dia inteiro dele.”
Ela lembra de chorar sozinha dentro do carro antes de entrar em casa, porque, ao mesmo tempo em que amava profundamente o próprio trabalho, também sentia culpa por perder pequenos momentos.
“Parece que o mundo moderno colocou a gente diante de uma escolha impossível: ou você é mãe, ou continua sendo mulher.”

Mas Gabriela não acredita nisso.
“Acho que podemos ser as duas coisas.”
Podemos amar os filhos profundamente e continuar amando os próprios sonhos, o trabalho e a identidade que existe além da maternidade.
Hoje, Gabriela diz que se reconhece no espelho talvez até mais do que antes.
“Eu gosto muito da mulher que me tornei depois do Austin.”
A maternidade trouxe segurança, leveza e gentileza consigo mesma.
Mas o corpo também mudou.
Durante a amamentação, perdeu peso rápido demais. Vieram o cansaço constante, a queda de cabelo e episódios de tontura.
“No começo ouvi muitos elogios, como se recuperar o corpo rapidamente fosse automaticamente algo positivo.”
Mas a realidade era outra e hoje, ela vive um processo de recuperação da própria saúde.
E aprendeu algo importante:
“Corpo saudável nem sempre significa corpo menor.”

Se pudesse conversar com a versão de si mesma antes da maternidade, Gabriela diria apenas uma coisa: tudo tem o seu tempo.
Ela quis ser mãe em outro momento da vida.
Ainda durante um relacionamento que imaginava ser seu futuro.
Mas não aconteceu.
“Na época foi difícil entender.”
Hoje, olhando para trás, acredita que algumas respostas só fazem sentido depois.
“Quando é pra dar certo, parece que o universo se alinha de um jeito quase silencioso.”
A rotina mudou completamente.
Agora os dias começam cedo, com Austin cheio de energia, café da manhã ao redor da piscina, brincadeiras na área externa e passarinhos visitando a pequena horta da casa.
À noite, Gabriela tenta sempre estar presente para dar a janta do filho e colocá-lo para dormir.
E aos sábados existe um ritual fixo: a pracinha em família.
“No meio da correria, essas pequenas coisas acabam virando as lembranças mais importantes.”
Mesmo na maternidade, Gabriela nunca abandonou o autocuidado.
“Existe uma pressão muito grande para que mães deixem de gostar de vaidade.”
Mas ela nunca acreditou que maternidade e feminilidade precisassem existir separadas.
Procedimentos estéticos, massagens, skincare e momentos de spa continuam fazendo parte da sua rotina.
“Hoje enxergo isso como cuidado. Não como vaidade vazia.”
Porque, às vezes, voltar para si também é uma forma de continuar inteira.
Entre tantos momentos, existem dois que Gabriela gostaria de guardar para sempre.
O primeiro foi ouvir Austin dizer “mamã” pela primeira vez.
“É estranho pensar que uma pessoa tão pequena sabe quem você é.”
O segundo é ainda mais simples... o olhar dele quase pegando no sono.
“Tem um momento específico em que ele fica quietinho, me olha como se o mundo inteiro estivesse ali… e parece que o tempo desacelera.”
Se tivesse que resumir esse momento da vida em uma palavra, seria: descoberta.
E maternidade? Transformação.
“Ter um filho de um ano é viver atrás de alguém muito pequeno que tem energia de empresário atrasado para uma reunião importante.”
Ela ri.
Mas, no fundo, o que mais encanta hoje é perceber a personalidade do Austin aparecendo aos poucos.
“Cada dia ele parece um pouquinho mais ele.”
E, no meio de tudo isso, existe gratidão.
Porque a vida ficou mais bagunçada, mais corrida e mais imprevisível.
Mas também ficou mais bonita.

RAW MOTHERHOOD é uma coluna do The Ones Edit dedicada a histórias reais sobre maternidade, sem filtros e sem romanização. Mulheres, rotinas, medos, amor, caos e beleza coexistindo no mesmo espaço, exatamente como a vida acontece.




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