Elizabeth Mably Kim
- 24 de jun.
- 3 min de leitura

Existem mudanças que acontecem aos poucos e existem aquelas que transformam tudo, para Elizabeth Mably Kim, a maternidade foi exatamente isso. Um renascimento.
Aos 31 anos, designer, esposa há quase um ano e mãe do Gregory, de quatro anos, ela aprendeu que ser mãe é muito mais do que cuidar de alguém. É aprender a pensar em plural, é descobrir forças que nem sabia que tinha. E também entender que ninguém deveria carregar tudo sozinha.
Antes de tudo, Elizabeth fala sobre uma coisa impossível de explicar. O amor, um amor incondicional.
“Só quem é mãe sente isso.”
Um sentimento que transforma prioridades, muda a forma de enxergar a vida e faz nascer uma nova mulher. Por ser prática e centralizadora, muitas vezes as pessoas acreditavam que ela não precisava de ajuda mas era justamente o contrário. E ela teve a sorte de encontrar apoio.
“O pai do Gregory e a minha família foram fundamentais.”
Porque maternidade não deveria ser sinônimo de solidão.

Gregory sempre teve infecções recorrentes no ouvido direito, mas uma viagem à praia mudou tudo. Assim que voltaram, precisaram ir direto para o hospital, por causa de uma perda temporária da audição, o pequeno precisou usar aparelho auditivo.
“Isso me fez sentir muito impotente.”
Não pela falta de amor, mas porque nenhuma mãe está preparada para assistir ao sofrimento de um filho sem poder tirar sua dor.
Privação de sono... Elizabeth ri ao falar disso.
Porque parece algo óbvio, porque todo mundo diz que faz parte mas, ainda assim, continua sendo difícil.
“Eu nunca falava sobre isso porque sempre pensava que as pessoas responderiam: óbvio que isso aconteceria.”

E o cansaço emocional também existe, principalmente em períodos delicados do casamento ou nos momentos em que o trabalho e a necessidade de controlar tudo acabavam afastando-a da família. Então vinha a culpa, uma culpa silenciosa que muitas mães conhecem bem, mas ela continua tentando. Todos os dias.
Quando olha para o espelho, Elizabeth vê outra mulher.
“Agora tudo é plural.”
Não existe mais uma decisão que não passe por "e os meus filhos?".
As mudanças no corpo vieram principalmente nos seios mas ela escolheu cuidar do que podia e aceitar o que não era prioridade naquele momento. Se pudesse conversar com a mulher que era antes de se tornar mãe, diria:
“Aproveite. Porque passa muito rápido.”

A chegada do Gregory transformou completamente a vida a dois. Foi ali que o casamento realmente começou e continua sendo construído através de diálogo, combinados são refeitos, conversas acontecem e ajustes são necessários. Porque uma família é construída todos os dias.
As manhãs começam às 5h40. Elizabeth vai até o quarto do filho e se deita ao lado dele até as 6h15. Depois vem o café da manhã, a creche, as aulas de dança e música que Gregory tanto ama.
À noite, mais brincadeiras, banho e a rotina do sono.
Por influência do pai coreano, a cultura também faz parte da educação do pequeno, mas existe um ritual especial. Desde bebê, Elizabeth esfregava a pontinha do nariz dele.
Hoje, toda vez que se encontram, repetem o gesto. Uma linguagem de amor criada pelos dois.

Terapia, família e amigos. Uma relação saudável.
Essas foram as bases que sustentaram Elizabeth durante a maternidade. E, se pudesse escolher algo para fazer mais por si mesma, ela responde entre risos:
“Dormir.”
Porque algumas necessidades continuam simples.
Se pudesse congelar uma lembrança, seria ouvir Gregory dizer "mãmã" pela primeira vez.
“Eu poderia reviver esse momento infinitas vezes.”
Porque existem instantes que mudam tudo.
Elizabeth define essa fase em uma palavra: Mágico.
E a maternidade? Renascimento.
Ter um filho é desafiador, mas o que mais permanece, no fim de tudo, é o amor. E a gratidão.
Porque, depois da maternidade, ela já não pensa em singular.
Agora, tudo é plural.

RAW MOTHERHOOD é uma coluna do The Ones Edit dedicada a histórias reais sobre maternidade, sem filtros e sem romanização. Mulheres, rotinas, medos, amor, caos e beleza coexistindo no mesmo espaço, exatamente como a vida acontece.




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