Adriane Campbel Silva
- 3 de jun.
- 4 min de leitura

A maternidade costuma ser retratada através de imagens bonitas: os primeiros sorrisos, os abraços apertados, os momentos que parecem saídos de um filme.
Mas para Adriane Campbel Silva, a maternidade foi muito mais do que isso.
Aos 28 anos, modelo, estudante de odontologia e mãe da pequena Val, de 1 ano e 10 meses, ela aprendeu que ser mãe também é lidar com emoções que ninguém consegue explicar completamente, encontrar força em dias difíceis e descobrir uma nova versão de si mesma no processo.
Hoje, entre uma rotina corrida, brinquedos espalhados pela casa e o desejo constante de desacelerar um pouco mais, ela vive uma das fases mais intensas da sua vida.
“Nasce um filho. E nasce uma nova versão da mulher também.”

Antes de se tornar mãe, Adriane enxergava principalmente a parte bonita da maternidade.
Os momentos especiais. O amor. A construção de uma família.
Mas quando a Val chegou, ela percebeu que existia muito mais por trás daquilo.
Vieram os medos, as inseguranças, as mudanças emocionais e os aprendizados que ninguém consegue transmitir completamente até que sejam vividos na própria pele.
“Hoje vejo a maternidade de uma forma muito mais profunda.”
Existe uma frase que resume bem aquilo que ela descobriu ao longo do caminho.
“Ninguém me contou o quanto a maternidade mexe emocionalmente com a gente.”
Porque junto com o nascimento de um filho, nasce também uma nova versão da mulher que o recebe.

A chegada da Val aconteceu através de um parto natural.
Apesar do nervosismo e do medo que sentia naquele momento, Adriane lembra da experiência com carinho.
“Foi uma das experiências mais marcantes da minha vida.”
Um instante intenso, transformador e impossível de esquecer.
Quando fala sobre apoio, Adriane não hesita em citar Tiago.
Para ela, viver a maternidade ao lado de alguém verdadeiramente presente fez toda a diferença.
“O maior apoio pra mim foi o Tiago.”
Mas a história também teve momentos de solidão. Durante a gravidez, Tiago estava trabalhando em Londres e, por isso, houve períodos em que ela precisou lidar sozinha com muitas emoções.
“Teve momentos em que me senti mais sozinha emocionalmente.”
Hoje, a realidade é diferente, com a chegada dos pais, que vieram da Espanha, e a presença de amigos próximos, Adriane construiu uma rede de apoio muito mais sólida.
E isso transformou completamente a forma como vive a maternidade.

Quando pensa no momento mais difícil dessa jornada, Adriane não fala sobre noites sem dormir ou sobre o cansaço físico. Ela fala sobre emoções. Depois que a Val nasceu, algo mudou dentro dela. Ela se tornou mais sensível.
Passou a sentir medos que antes não existiam e precisou aprender a lidar com uma carga emocional completamente nova. Foi uma transformação silenciosa.
Uma daquelas mudanças que acontecem por dentro e que quase ninguém percebe.
Além disso, existe outro desafio que ainda incomoda muitas mães: a cobrança constante.
“Parece que tudo o que uma mãe faz pode ser julgado por alguém.”
Como tantas outras mulheres, Adriane também teve momentos em que duvidou de si mesma.
Momentos em que se sentiu cansada emocionalmente. Momentos em que acreditou não estar conseguindo equilibrar tudo. Mas, com o tempo, aprendeu algo importante: sentir isso não a torna menos mãe.
E quando perguntada se já chorou escondido, a resposta veio acompanhada de uma risada.
“Já.”
“Eu acho que toda mãe já teve um momento de se trancar no banheiro só pra respirar um pouco.”
Não por falta de amor mas porque maternidade também é intensidade e às vezes a gente só precisa de alguns minutos para reorganizar os sentimentos antes de voltar.

Quando olha para si mesma hoje, Adriane ainda se reconhece, mas de uma forma diferente. Mais madura, mais sensível, mais consciente. E as mudanças físicas nunca foram o que mais mexeram com ela.
O que realmente impactou sua vida foi o cansaço acumulado e a sensação de que, muitas vezes, acabava deixando a si mesma em segundo plano.
“Às vezes a gente acaba se deixando um pouco de lado.”
Se pudesse voltar no tempo e conversar com a versão de si mesma antes da maternidade, deixaria um conselho simples:
“Pare de tentar controlar tudo e aproveite mais os momentos simples.”
Porque o tempo passa rápido, mais rápido do que imaginamos.

Hoje, a rotina é intensa... existe a creche, existem os compromissos, o trabalho, a faculdade e, uma menina de quase dois anos cheia de energia.
Quando chegam em casa, começam as brincadeiras, os brinquedos espalhados, as descobertas do dia, as gargalhadas, o silêncio dura pouco. E, sinceramente, Adriane já nem imagina a casa de outra forma.
Nos momentos de frustração da filha, ela tenta lembrar de algo importante: Val ainda está aprendendo a lidar com as próprias emoções. Por isso, procura acolher antes de corrigir.
Porque crescer também é aprender a sentir.

Em meio a toda a correria, existe um momento que pertence apenas às duas.
Antes de dormir, Adriane lê para a Val, o hábito começou de forma simples mas se transformou em um ritual, um instante de conexão, de calma, de presença. E quando perguntada sobre qual momento gostaria de congelar para sempre, a resposta veio rapidamente.
“Os abraços espontâneos da Val.”
Momentos simples mas que ocupam um espaço enorme dentro do coração de uma mãe.
Atualmente, Adriane tenta voltar aos treinos, cuidar melhor da alimentação e recuperar alguns hábitos que a fazem se sentir bem, mas admite que ainda está reorganizando muitas áreas da vida. Se pudesse escolher uma coisa para fazer mais por si mesma hoje, seria simples: descansar e desacelerar a mente.
Se tivesse que resumir esse momento em uma única palavra, ela escolheria: Transformação.
E maternidade? Intensa.
Porque ter uma filha de quase dois anos é, ao mesmo tempo, cansativo, divertido e completamente imprevisível. Ultimamente, o que mais encanta Adriane são os momentos simples em família, as pequenas cenas do cotidiano, os abraços, as brincadeiras, as histórias antes de dormir. E, no meio de tudo isso, ela sente que está vivendo uma das fases mais importantes da sua vida.
Uma fase que mudou muita coisa mas que também a aproximou de quem ela realmente é.

RAW MOTHERHOOD é uma coluna do The Ones Edit dedicada a histórias reais sobre maternidade, sem filtros e sem romanização. Mulheres, rotinas, medos, amor, caos e beleza coexistindo no mesmo espaço, exatamente como a vida acontece.




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